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A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou, nesta segunda-feira (23), um estudo técnico sobre os impactos da redução da jornada de trabalho no Brasil. A entidade defende que eventuais mudanças sejam realizadas por meio de negociação coletiva, e não por imposição legal.
O debate ocorreu durante o evento “Jornada de trabalho e estabilidade do ambiente de negócios”, realizado na sede da CNC, em Brasília, com transmissão pelo canal CNC Play.
A discussão ocorre em meio à tramitação, na Câmara dos Deputados, de propostas que preveem:
Segundo a CNC, a alteração pode afetar diretamente preços, emprego e competitividade.
O evento contou com participação do economista-chefe da entidade, Fábio Bentes, do advogado Roberto Lopes e da diretora de Relações Institucionais, Nara de Deus.
O levantamento aponta que:
Segundo Fábio Bentes, o comércio teria dificuldades para absorver o aumento de custos sem repasse de preços ou cortes de postos de trabalho.
O estudo sustenta que redução legal da jornada não garante aumento de produtividade.
“Países desenvolvidos trabalham menos porque são mais produtivos, e não ficam mais produtivos porque trabalham menos”, afirmou Bentes.
A CNC defende investimentos em qualificação profissional como caminho para elevar a produtividade de forma sustentável.
O turismo foi apontado como o segmento mais vulnerável, com custo potencial de adequação de até 54%.
Por ser intensivo em mão de obra e operar de forma contínua, o setor teria dificuldade de absorver restrições mais rígidas de jornada.
O advogado Roberto Lopes afirmou que a CNC não se opõe à redução da jornada, desde que realizada por meio de acordo ou convenção coletiva, conforme previsto no artigo 7º, inciso XIII, da Constituição Federal.
Segundo ele, a negociação coletiva permite ajustes conforme a realidade de cada setor, evitando impactos generalizados.
Lopes também alertou que alteração do limite máximo de jornada exigiria Proposta de Emenda Constitucional (PEC), e não simples lei ordinária.
A diretora Nara de Deus avaliou que o Congresso ainda não amadureceu o debate e que o ano legislativo encurtado pode dificultar o avanço da proposta.
Para a entidade, o tema exige análise técnica aprofundada para evitar insegurança jurídica e prejuízos à atividade econômica.
A CNC informou que continuará contribuindo com estudos e dados técnicos para embasar o debate no Congresso Nacional, defendendo:
O estudo completo está disponível no site da entidade.
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